A instabilidade da economia brasileira impactou diversos mercados e não foi diferente no comércio eletrônico. Segundo dados da pesquisa Webshoppers, realizada pela E-bit e Buscapé, a expectativa era que até o final de 2015, o e-commerce alcançasse um faturamento de R$ 43 bilhões, 20% maior se comparado ao ano anterior. Mas, seguindo Pedro Guasti, diretor-executivo da E-bit, as vendas online devem avançar 15% até o final do ano com uma receita prevista para R$ 41,2 bilhões.
“De fato, o e-commerce também foi impactado negativamente pela crise econômica. No final do ano passado, não imaginávamos que teríamos um PIB tão baixo e um cenário de desemprego no Brasil. Mas mantemos a esperança de crescimento no Varejo online, principalmente pelo grande movimento de compras que a black friday proporcionará para o setor”, aponta Pedro Guasti em coletiva de imprensa realizada hoje (19), em São Paulo.
Segundo o executivo, o terceiro trimestre desse ano será o pior para o e-commerce brasileiro se comparado aos dois primeiros, que juntos faturaram R$ 18,6 bilhões, um avanço nominal de 16% na comparação com o mesmo período de 2014. “Nossa expectativa é encerrar bem 2015 com vendas aquecidas durante a black friday e no natal. Ou seja, o quarto trimestre tende a ser melhor”, acrescenta.
O estudo aponta que 17,6 milhões de pessoas fizeram pelo menos uma compra online no primeiro semestre de 2015, representando assim uma queda de 7% se comparado com o mesmo período do ano passado, quando registrado 18,9 milhões de consumidores ativos. Esta queda no volume foi potencializada pelos compradores classificados como light users, aqueles pertencentes à classe C. Crise, contenção de despesas, preço alto e falta de dinheiro foram alguns motivos apontados.
No caminho contrário, os heavy users que pertencem às classes A e B entendem que no momento de maior instabilidade econômica, a internet se torna o principal canal para realizar as melhores compras. Isso mostra que menos pessoas compraram mais produtos online.
Áreas de bonança
Mesmo com um cenário pessimista nas vendas e não crescendo tanto quanto deveria, o e-commerce brasileiro segue sendo um dos principais do mundo. O País tem hoje mais de 103 milhões de pessoas com acesso domiciliar à internet sendo que 74 milhões são usuários ativos, aqueles que fizeram pelo menos uma compra online nos últimos seis meses.
Nos seis primeiros meses do ano, 89% dos internautas compraram por meio do desktop. Smartphones e tablets representaram um share transacional de 10,1% nas vendas. O ticket médio registrou um aumento de 13% no período atingindo um valor de R$ 377,00, registrando 49,4 milhões de pedidos.
Para esta edição, a E-bit/Buscapé realizou uma pesquisa com 2.204 internautas para analisar alguns aspectos de comportamento quanto ao uso de dispositivos móveis em compras online. O estudo aponta que 83% dos e-consumidores respondentes possuem pelo menos um dispositivo móvel e a conexão por wi-fi (por smartphone ou tablet) em casa é o hábito mais comum de acesso à internet para 84% dos participantes; seguido por wi-fi no trabalho, em 39%; e por operadoras, 36% pós-pago e 32% pré-pago.
O levantamento mostra ainda que 14% efetuaram a aquisição de um produto através de um dispositivo móvel estando dentro da loja física. Isso denota uma maior utilização dos aparelhos móveis nas lojas físicas durante o processo da compra tanto para pesquisa de produtos quanto de preços.
“A jornada do cliente online certamente será impactada de maneira cada vez mais intensa pelos dispositivos móveis, afinal os smartphones estão nas mãos dos consumidores em praticamente 100% do tempo. Essa percepção vale como chamariz para incentivar o investimento pelas empresas do Varejo para o desenvolvimento de sites responsivos”, finaliza o diretor-executivo da E-bit/Buscapé, André Ricardo Dias.
